Querido Diário;

Ontem foi um dia interessante. Parece que alguém poderoso lá em cima acordou e pensou: “Hoje eu vou sacanear essa menina! Hahaha! Hoje ela me paga por ter que salvá-la tantas e tantas vezes de carros, penhascos, assaltantes, malucos… Hahahaha! Vamos começar!”

E aí começou.

Eu estava com sono de manhã, querido Diário; isso é normal. Eu vesti Isabela, arrumei a mochila dela, coloquei meu maiô (é uma derrota falar MAIÔ, né?) de treino, arrumei minha bolsa pra natação, coloquei um chinelo, chamei Isabela, peguei as chaves, apaguei as luzes, peguei minha bolsa e saí.

Quando apertei o botão do elevador, notei que minha filhinha, de três anos, olhava pra mim com uma expressão estranha. Me deu uma mescla de ternura e compaixão, quase derreti ali!

Agachei e perguntei, toda amorosa:

“- Que foi, meu amor?! Por que vc está olhando assim pra mamãe?”

E ela me respondeu:

“- Mamãe… Gucê vai de maiô na rúuuuuua???”

Olhei pra mim mesma e sim, eu estava de maiô. Maiô, bolsa e havaianas. GRAZADEUS eu estava com minha filha, pq, se fosse sem ela, eu só teria percebido o erro ao passar pelo porteiro. Deus é mais. Deus é dez. Deus deve ter dado umas boas gargalhadas.

Entrei, me vesti e saímos de novo.

Deixei a cria na salinha dela e segui para a natação.

Aqueci, pulei que nem uma corna perneta, alonguei mais que o ET do Panamá, estiquei os braços pra trás, pra cima, pros lados… Agachei e estiquei as pernas, mudei de posição, alonguei, alonguei…

Tomei uma chuveirada, caí na piscina, nadei, nadei, nadei, nadei… Cheguei na Nicarágua nadando, se for contar a “kilometragem” da coisa. Nadei mais que refugiado cubano chegando em Miami, imaginando o Jon Secada e a Glória Stefan e todos aqueles conterrâneos que se deram bem.

Daí, querido Diário, como eu faltei segunda-feira, eu decidi, assim, do nada, emendar na aula de hidroginástica dos velhinhos, pra dar uma turbinada no exercício. Pq merda pouca é bobagem.

Vc já fez hidroginástica, querido Diário? Não, né? Claro, vc não passa de um caderno de papel.

Tem uns exercícios bizarros, Q.D…. BIZAAAAAAAARROS…

Se imagine deitado flutuando apoiado num espaguete preso nos seus sovacos, fazendo movimentos de abre e fecha com as pernas retas, para as laterais. Imaginou? Pois saiba, Q.D., que na prática é muito mais difícil do que nessa imagenzinha mental furreca que vc fez da cena.  Não sei como os velhinhos fazem isso e ficam no lugar. Pq, quando eu fui tentar, o resultado foi que eu parecia um girocóptero desgovernado pronto pra atacar sexualmente qualquer velhinho que entrasse na minha frente. Eu não consegui fazer UM exercício parada; eu flutuei desgovernada em TODOS.

E eu terminei a aula, querido Diário. E saí da piscina, e alonguei horrores.

E cheguei no vestiário cheio de velhinhas pós-hidroginástica. E tirei a toalha que me envolvia. E abaixei pra pegar minha bolsa. E ouvi de duas velhinhas, ao mesmo tempo:

“Meu amoooor, seu maiô está descosturado!!”

Porque velhinha nunca fala “furado”. Furo, pra elas, é algo diferente de “descosturado”. Pra mim, é tudo a mesma coisa.

Na prática, quando eu olhei minha bunda no espelho, eu vi que meu maiô estava era com um baita rombo no MEIO da bunda. Dando uma visão perfeita do meu rego pra quem quisesse ver. Imagina quem viu enquanto eu bancava o girocóptero, huh?

Oh, céus. Não sei se terei coragem de voltar lá.

Voltei pra casa, tuitei, cumpri com minhas obrigações de leiê: varri, lavei, arrumei (tudo meia boca, mas ninguém pode dizer que não fiz) e, pra finalizar, fui jogar o lixo na lixeira do corredor.

De calça jeans dobrada até o joelho, sutiã e saco cheio de lixo na mão eu estava; abri a porta, dei de cara com a vizinha centenária bipolar e evangélica que passa criolina na minha porta todo santo sábado, sabe Deus porque; dei olá; ela desceu os olhos pras minhas peitcholas; eu me liguei que tava sem camisa e, da mesma maneira que abri a porta, fechei. Na mesma posição. Sem nem piscar um olho.

Linda, a terceira bola fora do dia.

Aí desci, fui na farmácia  e, me expliquem, POR QUE DIABOS os atendentes ainda olham FEIO toda vez que vc vai pagar uma caixinha de OB SUPER? Caralho, é de sacanagem???? Não é possível que em pleno 2009 nego ainda olhe uma caixinha de absorvente interno com cara de “ih, essa é arrombada!”! Porra! Que merda!

(E alguém me explica o motivo de eu SEMPRE explicar, enquanto passo o cartão, que “hehe, é que meu fluxo é muito intenso…”??????

Realmente. Eu sou daquelas que explica as coisas tentando melhorar as situações. Besta, eu, pq é mais que sabido que pisar na merda, só espalha.)

Mas meu Djízâs, alguém explica pros balconistas de farmácia que o tamanho do OB não tem NADA a ver com o tamanho da piriquita, mas sim com a capacidade de absorção??? Não que eu esteja ligando pro que pensam do tamanho da minha periguete junior, afinal, hehe, baby, tem umas coisas que não tem nem o que dizer, claro; mas me incomoda profundamente a ignorância dos caras. Porra. De repente faz todo o sentido do mundo a Carol Gretchen fazer o “Fiz Pornô mas Sou Virgem”ou algo assim – tem gente que REALMENTE tem uns fios trocados lá dentro da caixola e inverte umas informações vitais, cara. Sério. As mesmas pessoas que acreditam que OB define tamanho de xereca, certamente concordam com a idéia de que uma menina que já fez sexo anal em frente às câmeras continua virgem, contanto que nenhum pênis tenha penetrado a vagina. Ou um OB Super.

Depois disso, estava sentada no pátio da escola, esperando a hora de pegar minha filha. Sem lente e sem óculos. Sou míope como uma porta, by the way.

Eis que me chega um professor beeeem jovem, lá de longe, e começa a apontar e a dizer que conhece meu irmão, que me conhece desde pequena e blablablá… E eu respondendo, amarradíssima; convencida de que ele devia ser algum amigo de infância que eu só não reconhecera pq estava longe e eu não estava enxergando… Até me dar conta que ele estava falando com a menina da frente. O que fazia muito mais sentido, claro. Era muito mais normal ele conhecer desde pequena uma menina de 12 do que uma mulher de 27; afinal, se o cara tinha 23 era muito.

Morri de vergonha o resto da tarde, peguei minha filha, vim pra casa e cavei um buraco nos travesseiros pra enfiar minha cara.

Ai, querido Diário! Que dia vergonhosamente deplorável!

Tomara que amanhã seja melhor.

Um beijo.

Carol.

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