15 Motivos para Toda Mulher ter um Melhor Amigo Gay

Uma das coisas mais divertidas que qualquer mulher pode fazer é ter uma amigo – de preferência, um melhor amigo – gay. Pode ser só “homo”, do tipo que só quebra o pescoço entre amigos; pode ser enrustido, do tipo que ainda não saiu do armário nem pra ele mesmo – mas todo mundo já percebeu; pode ser do tipo bicholeta-eta-eta, que é bicha, totalmente mona, nem aí pra nada; pode ser traveco; enfim, um amigo que goste de outros amigos.

Eu, como boa representante da espécie “mulher-extrovertida-loira-boca-suja” que sou, já tive amigos de todos os tipos citados acima. E um, em especial, meu melhor amigo, que é tudo acima ao mesmo tempo. Hahhahaha. Menos traveca. Quer dizer, entre 4 paredes, não sei. Mas fora, o Di faz o estilo gay executivo, adooooro.

E foi com ele que eu aprendi todas essas coisas abaixo, e foi morrendo de saudades e pensando desesperadamente nele que eu resolvi escrever um manualzeenho sobre o quanto ter um melhor amigo gay é vantajoso e maravilhoso para qualquer mulher que se preze!

1 – Já dizia minha vó: um amigo gay não vai dar em cima de vc. E vc não precisa ser uma mulher linda e maravilhosa pra sofrer com problemáticos amigos heterossexuais; basta que eles estejam carentes e vc de calcinha. Gays vêm automaticamente isentos deste problema. Desfile da calcinha, tome banho, mostre os peitos, se depile, faça O QUE QUISER, meu amor – ele não vai demonstrar NENHUMA reação fisiológica, se é que vc me entende. E o único feedback que ele pode demonstrar por te ver pelada é uma ligeira cara de repulsa e asco acompanhada de algum comentário do gênero: “Argh, como tem alguém no mundo que gosta dessa… Dessa… Lasanha viva???”, se referindo a sua genitália. É a paz no mundo.

2 – Ele também não vai dar em cima do seu namorado. Bem, pode ser até que dê, pq amigos gays têm um certo instinto protetor quanto às melhores amigas, e costumam, SIM, testar os namoradeenhos das protegidas… Mas isso não será um problema se o cara for hetero mesmo. O cara vai te contar. E o amigo tb. “Ele deu em cima de mim!”, “Eu dei em cima dele, ele não reagiu. Aprovado.” Se só o amigo contar e o cara não disser nada… Sai fora que essa faca corta pros dois lados. E o amigo vai contar assim: “Amor… Sai fora desse cara, vai. Ele não é pra vc. Furada na certa. E põe furo nisso.”

3 – Amigas bibas estão para nós, mulheres, assim como melhores amigos héteros, homens, estão um pro outro. Eles vão a jogos de futebol; nós e as bibas vamos a salões de beleza. Eles dão notas para mulheres gostosas que passam na rua; nós e as bibas damos notas para homens que passam em qualquer lugar. Eles falam de carros e fórmula 1, nós falamos de cabelo, maquiagem, Alinne Moraes, Bruno Gagliasso…

4 – Amigos gays são as únicAs amigAs que vão ouvir Michael Bublé com você, tomando Champagne e comendo morangos, rodopiando pela casa e NUNCA, mas NUNQUINHA, vão te chamar de brega por isso. Amigos héteros, namorados e maridos, nunca farão uma coisa dessas. Amigas mulheres dificilmente farão e, se fizerem, vai ser de má vontade.

5 – Nenhuma outra classe de amigo é capaz de combinar com você um personagem pra sair. “Hoje eu sou Rory Gilmore e vc é a Beyoncé, tá?”

6 – Só amigas bibas sabem de cór e salteado falas de seriados de TV.

7 – Amigas bibas não só te ligam pra avisar de promoções como, na sua impossibilidade de comparecer, se metem em plena Arezzo pra disputar a tapa com uma loira aguada a ultima sandália caramelo que vc tanto queria e que está com 70% de desconto…e te dão de presente!

8 – Não adianta: só gays sabem apreciar um bom jogo de xícaras ou canequinhas fashion e servir um maravilhoso café com um toque de amêndoas torradas em plena segunda ás 18h30 da tarde, só pra vocês dois se sentirem chiques em casa.

9 – Com quem mais seria possível tomar drinques como Alexander se até as amigas mulheres acham que isso é coisa de bicha?

10 – Com eles você pode brincar de cena de filme. Coisa que vc tenta fazer desde os onze anos com suas amigas, mas elas não curtem mais…

11 – Se você estiver gorda, eles vão dizer. Se a roupa não estiver combinando, eles vão dizer. Se o cabelo estiver feio, eles vão dizer. Acontece que se as respostas pra todas essas coisas forem “SIM, você está gorda, com a roupa feia e o cabelo horrível”, eles SABEM o que fazer. Leia-se: sabem que roupas vão te deixar mais magra e ressaltar os peitos da melhor maneira e sabem arrumar cabelo como ninguém.

12 – N-I-N-G-U-É-M é melhor pareceiro no UNIVERSO pra brincar de Mímica que um amigo bicha. Ninguém. O nome do filme pode ser “Hellraiser, Renascido do Inferno”, que ele VAI te passar de alguma maneira. E com um toque teatral que nem Ney Matogrosso é capaz de dar!

13 – Você só poderá cantar e dançar Britney Spears em frente ao espelho se for com um amigo bicha.

14 – Amigos gays acham o máximo ir pra cozinha com vc fazer uma receita complicadérrima de salada de endívias selvagens com rúcula do agreste, tomate cereja e queijo de cabra velha acompanhada de um arroz arbóreo ao molho de funghi tunghi minghi e carne de égua do deserto grelhada com paetês e alcaparras, e de sobremesa tiramissu de café javanês e chocolate belga… passar um dia inteiro na cozinha pra fazer isso, colocar uma mesa MARAVILHOSA com a baixela de prata e a louça da Lituânia… Só pra colocar a primeira garfada da salada na boca e praticamente vomitar no prato, deixar tudo de lado e ir pro sofá da sala comer o tiramissu direto da travessa vendo Friends. NÃO TEM PREÇO.

15 – E, pra terminar: só um amigo gay, e NINGUÉM mais no mundo, consegue te fazer rir como uma hiena em situações SURREAIS como, sei lá, TPM + término de namoro + demissão do emprego + oito kg a mais + morte de parente. JURO.

Aaaaaaaai, Diego Bacellaaaaaaar! Que saudaaaaaaaaaaaaade!!!!

Da série “Conselhos Sobre Coisas que Acontecem”

E não tem muito como escapar. Então, aqui vai um pequeno manual pra você aprender a lidar com essas coisas pós modernas que acontecem com todo mundo: você, eu, a Cláudia Leitte…

1 – Vc foi pra um mega evento e a pilha da câmera fotográfica acabou logo na primeira foto. Mas você não se preocupa tanto pq todos os amigos estão com máquinas tb. E vc sai em várias fotos. Váaaarias. Vc verifica, nas máquinas, após cada clique, e constata que algumas ficaram bem legais.

Mas qual não é a surpresa qdo, ao abrir o Orkut no dia seguinte, você vê que logo aquela exata foto em que você saiu lindo como um golfinho asmático fazendo hang-loose foi tb a ÚNICA que sua amiga, dona da máquina, resolveu postar no álbum aberto dela? EHBATATA. E pode ver, a foto tá com 18 comentários do tipo “fulana (dona da máquina), c tá linda!”

Sua amiga, por ser “a dona da bola” – tal e qual aquele mini-ditador (todo mundo teve um amigo assim na infância) que encerrava o jogo quando bem queria, simplesmente pq a bola era dele -, pôde decidir, assim, brincando de Deus, qual foto ia pra berlinda.E geralmente, nesse momento, a foto escolhida é uma em que ela saiu ótima e vc, um cocô. Muito lógico.

Ou então a outra variável do ocorrido.

Que é quando vc saiu bem na foto, a amiga ( ou o amigo) nem tanto, mas, como era a única imagem em que o Bono Vox, a Ivete ou mesmo o Praga saiu junto de vcs, tinha que ser essa, mesmo, no maior estilo “não-tem-tu-vai-tu-mesmo”. A indivídua dona do cartão de memória, pra melhorar o próprio lado, lasca um contraste e um brilho no Photoshop de maneira que suavize (suavise??) a proeminência nasal avantajada dela e dê uma chapada nas espinhas, sem ligar pro fato de que você, com aquele brilho todo, SOME.

Não, não tô falando que você é ofuscada pela beleza da sujeita, não, tô falando que você SOME, mesmo: você é tão branca que todos os seus traços desaparecem, sobrando um ser de luz muito semelhante a um ET do filme Cocoon. Só falta voar.

Ou então você é muito morena e o contraste junto com o brilho te dão cor e textura de Cream-Cracker com hepatite, enquanto a dona da foto está lá, linda e esvoaçante com a Galadriel.

E milhões de outras variáveis deste mesmo problema: a foto de vc com uma verdadeira pochete adiposa na cintura e a indivídua se espremendo toda e magérrima como uma tábua; foto sua com um olho fechado e boca abrindo pra falar, e indivídua posando linda…

Isso acontece por causa de uma velha máxima da comunicação social:

“QUEM DETÉM A INFORMAÇÃO, DETÉM O PODER”

Como você não tinha máquina e a outra pessoa sim, vc não tem nada contra, nenhum trunfo na manga e se fode. Só pode aceitar calado. Pode até pedir que te enviem as outras fotos, mas invariavelmente em todas você vai estar com o tal aspecto de Cream-Cracker com hepatite, pq já foram devidamente filtradas e adaptadas ao tom de pele do manda-chuva.

Portanto, o conselho que eu tenho pra te dar é: TIRE FOTOS. Sempre. Se acabou a pilha da máquina, TIRA COM O CELULAR, meu filho! Tira com o celular dos outros, tira com o cu, whatever – vc PRECISA de uma prova pra chantagear! Porque aí, quando aparecer a tal fotinha ilustrando o Orkut da querida, vc mete tb a sua fotinha de celular, sem nenhum caprichoe totalmente adaptada pra vc!

A pessoa, desesperada, vai pedir pra tirar. E vc,radiante, vai poder dizer: “Tiro essa se vc tirar a que tá no seu álbum”. E as duas vão tirar e viver felizes prasempre… Sem nenhum registro da noite fatídica, como se ela jamais tivesse acontecido.

Agora, a única saída, única MESMOOO, se a coisa já aconteceu e vc NÃO TEM o que fazer… É um semi-golpe baixo.

Entre no álbum, se veja e comente uma das variáveis abaixo:

“Meu Deus! Q q aconteceu com a foto? Cheia de efeitos! hahahaha”

“Ai, cara, ficou lindo o seu nariz! Vc usou pincel de clonagem ou aquele band-aidinho do Photoshop? Me ensina?”

“Nossa! Adorei o filtro amarelo que vc usou! Sumiram todas as suas espinhas!”

“Cara, vc AHASOU no PhSh! Só conserta ali que ficou um esfumaçadinho aparecendo na banhinha embaixo do seu braço esquerdo!”

E por aí vai.

E tenho dito.

Bjoscomentem!

Carol

Eu Vi Uma Folhinha na Careca do Vovô

Hoje acordei saudosa.

Há algum tempo (na época que eu escrevi esta história esse tempo era presente, mas várias formatações do meu HD e do site onde eu postava minhas merdas me fizeram perder um acervo enorme. Reescrevendo, o tempo vira um pretérito pra lá de saudoso!), eu estagiava no centro do Rio, em um jornal que já teve seus tempos áureos. Morando em Niterói, saía daqui às 7 da matina, passava em uma birosca perto do ponto e comprava um italiano* e uma latinha de refrigerante ou chá gelado – dependia do jantar de “ontem” -, e subia no ônibus com o salgado ainda fresquinho. Sentava naqueles bancões altos, os últimos antes do trocador, abria o pacotinho e saboreava aquele salgado maravilhoso, iguaria pé-sujo sem igual. Depois, bebericava o líquido da latinha atéeeee… Até acabar.

Enquanto o ônibus estava vazio, ia bem no meião do banco. À medida em que enchia, ia bundeando pro lado do corredor (devido ao tamanho da circunferência das minhas ANCAS, odeio ficar presa na janela dos ônibus, aviões e afins: a sensação de esfregar o fiofó na cara do pobre coitado vizinho é deprimente demais).

Invariavelmente, o ônibus enchia demais, assim como as ruas, e eu demorava aproximadamente duas horas pra chegar ao jornal. Não vou dizer que isso não poderia ser evitado, poderia sim, era só eu ir de barca: em menos de uma hora, já estaria lá.

Só que eu adoraaava ir de ônibus! Aquele ritual de comprar italiano e latinha e depois aquela sonolência, aquele solzinho da manhã e o ventinho gelado no rosto me embebedavam e eu ia, durante todo o caminho, pensando na vida, meio dormindo, meio acordada…

No primeiro trecho – quando tinha engarrafamento demais e o ônibus não podia deslizar tranquilo pra amortecer meus sentidos -, até a ponte, eu ia pensando. No segundo, da ponte em diante, eu era embalada pela velocidade e o vento e dormia meus 40 minutos mais preciosos de cada dia.

Nesse dia não ia ser diferente. Estava ainda no primeiro trecho. Pensava, pra ser exata, no motivo que levava os fabricantes de absorventes a ainda fabricarem absorventes sem abas, já que nem uma indivídua que conheço os compra. Elaborei mil hipóteses, pesquisei mentalmente os preços, lembrei de algumas coisas que precisava comprar. Iria seguir minha amada salve-salve rotina diária, em poucos minutos o vagar dos pensamentos me fariam dormir.

Masssss, na Alameda (um trecho que sempre engarrafa e sempre entram milhares de pessoas nos ônibus), entrou uma porrada de gente. Entre essas gentes, um senhor careca. Careca daqueles que o cocoruto reluz, e só tem um bambolêzim de cabelos circundando o topo da nuca e acima das orelhas, tal e qual aquela coroinha de folhas que os gregos (eram os gregos?) usavam.

Eu nem teria reparado nesses detalhes todos, mas ele se sentou bem na minha frente. E, como sabemos, nossos olhos são scanners, capturam e analisam toda e qualquer imagem. Se estiver tudo certo, eles liberam o movimento pra onde você quiser olhar, mas, se NÃO estiver tudo certo, fodeu, os dois bichinhos se trancam na direção do erro e, puta merda, nem toda a educação do mundo consegue destravá-los! Tenta tirar os olhos de uma pessoa de peruca, ou com a calça furada, ou com batom no dente, ou com mó remelão e vê se consegue!

Então, meus olhos estavam prestes a liberar o careca do processo, chegaram até a dar uma destravadinha e olhar pro outro lado, mas voltaram. Identificaram algo.

No meio daquela careca lisiiiinha e mais brilhante que uma bola de boliche, aquele aeroporto de mosquito perfeito, assim, como quem não quer nada… Jazia uma folhinha. Uma folhinha. Tá pra existir coisa mais inocente do que uma folhinha daquele tamanho. Pequenina e verde. Bem verde. Bem pequenina.

Bom, certamente alguns vão pensar:”Tá, mas e daí?”

E eu vou responder: experimente VOCÊ ficar confinado num ônibus por mais de uma hora na frente de um careca com uma folha no meio da cabeça.

Te digo de antemão: maluco, NÃO DÁ. O cérebro fica em constante desequilíbrio, processando o tempo todo que algo está errado. Vira uma TORTURAAAAAAA.

A folhinha adqüire rapidamente voz de desenho animado. Formiga Atômica total. E berra: “NANANÁAAANAAA, VOCÊ NÃO ME PEGAAAAA!”, e te tortura, e te tortura, e que tortura. Não acaba nunca.

Pronto. Minha rotininha alterada. Cacete. Não consegui pensar mais, com aquela folhinha desgraçada me testando. Não consegui dormir, coma aquela folhinha me gritando. Pra falar a verdade, meus olhos não saíram da folhinha nem um segundo.

E o careca passava a mão pra lá, passava a mão pra cá, tipo “penteando os cabelos”, em TOOOODOS os lugares da careca, menos na folhinha. E a cada vez eu gritava por dentro:”MAIS PRA DIREEEEEEEEEEITA!!!! MAIS PRA DIREEEEEEEEEEEITA!!! A FOLHINHA TÁ MAIS PRA DIREEEEEEEITA!!!”

Ele, é claro, não ouvia.

Quando chegamos ao centro do Rio, eu já tava suando frio de nervoso. Minhas mãos tremiam, minha boca seca, a latinha amassada como se fosse um copo descartável. Minha perna balançava sozinha e acho que o ônibus inteiro percebia que eu tava morrendo ali. A maldita folha sobreviveu a TODOS os ventos, a TODAS as “penteadas de cabelo”, a TODOS os sovacos e barrigas de gente em pé roçando na cabeça do careca. A TODAS as minhas preces e gritos de desespero, a TODOS os meus olhares telepáticos; eu REALMENTE tentei fazer aquela porra de folha flutuar.

Na Leopoldina eu me liguei que já tava chegando perto do meu ponto, que eu precisava relaxar, “só mais cinco minutinhos”.

Quando cheguei no retão que precedia o meu ponto de descida, fui acometida de um alívio quase físico, a felicidade de imaginar que eu ia descer e nunca mais ia olhar aquela folha dos infernos na minha frente. Levantei, meio bamba de emoção, e fiquei lá, em pé, um braço pra cima segurando na barra, encostada na “paredinha” na frente do trocador, esperando o ônibus parar, ao lado da minha poltrona.

Qual não foi a minha surpresa quando o careca levantou também.

Com quinhentos milhões de pontos de ônibus, o homem foi descer ali. Tinha que levantar ali. Tinha que ter alguma coisa pra fazer ali perto. CARALHOOOOOOOO, merda pouca é bobagem. O careca estava ali, de pé na MINHA FRENTE. Uma respiração mais forte minha e eu embaçava o carecão.

Juro que nunca me concentrei tanto em toda a minha vida. Aqueles poucos momentos conseguiram a proeza de serem piores do que toooooda a viagem desde Nikiti. Estava ali, a menos de um metro de mim, aquela folha de uma figa.

Respirei fundo quando o ônibus foi parando, fechei os olhos e pretendia contar até dez pra, quando fosse abrir os olhos de novo, não ver aquela careca com aquela folha quenga ali. Mas logo abri, né, porque iriam me linchar se eu ficasse mais um segundo parada, tinha gente presa lá atrás.

No momento em que abri os olhos de novo, aconteceu.

Do nada, eu juro que foi do nada, involuntariamente, minha mão levantou e deu mó tapão na careca do velhinho. O_O . Eu tenho certeza que a intenção era só tirar a folha, mas foi um tapa tão forte que fez “PAF”. O velhinho, no mínimo assustado, levantou os ombros e afundou a cabeça no pescoço, sabem? Levou a mão à cabeça e foi virando devagarzinho… Até olhar pra mim.

Agora vocês vejam bem. Eu, uma jovem de 1m71 dei um pescoção de fazer dó num velhinho com um terço do meu tamanho e peso, na frente de TODO MUNDO. Num momento desses, o que que você faz? Nega????

Pensando na velocidade de um raio, cheguei a conclusão de que eu podia fazer duas coisas. Ou eu dava um passinho pro lado, fazia cara de desentendida e apontava pra mulher sentada na cadeirfa mais próxima dizendo: “Foi ela, foi ela!”… Ou eu fazia o que eu fiz.

Na hora em que o velhinho parou os olhos em mim, a cara A-P-A-V-O-R-A-D-A, uma expressão de medo, confusão e raiva, tudo junto, eu, muito calmamente, como se nada tivesse acontecido, com a cara mais séria e plácida do mundo, sem tirar o outro braço da barra de ferro, disse:

“- Tinha uma folha na sua careca.”

E, diante da falta total de expressão no rosto do velho (e me borrando de medo de alguém me bater), emendei:

“- Com licença.”

Passei, desci e fui embora.

Fala sério, o que você faria no meu lugar???