More Than Words

Tô eu aqui, tomando Tang de melancia – pq a pobreza assola minha porta; fim de mês é fim de mundo e aqui em casa o mê$ só começa dia 5 – e curtindo umas musiquinhas “dazantiga”… E uma canção levou a outra que levou a outra que me levou a doces lembraças dos Hi-Fis de quando eu tinha uns 9, 10 anos de idade.

Hi-Fi. Vcs tiveram isso tb? Festinhas na casa de amigos, cada um levava um prato de salgado e um refrigerante e ficavam rolando no som zilhares de fitas cassete gravadas com os sucessos do momento. Gente, eu lembro que eu passava DIAS pra gravar a música que eu queria – NO RÁDIO.. HAOUHAUOAUOHUAH! Já ficava uma fita de stand by lá eternamente, com o rec e o pause apertados juntos, pra só correr lá e desapertar o pause pra começar a gravar. hauoauoauh!

Não raro – ou melhor, quase sempre – as músicas ficavam com os efeitos sonoros de vinhetas da rádio… “Tantantan Costazul, a sua rádio no litoral!” e introdução na voz dos apresentadores “E agora, pra animar a noite da galera, Vento, Ventania, Biquini Cavadão” que entrava e cobria metade da primeira estrofe, emendando tudo e ficando algo como:

“(…) Vento Ventania, Biquini Cavadão! …tanía me leve para as portas do céu…” -> acabei de procurar no Google e na letra que me aparece consta BORDAS do céu, não portas do céu... HAUAUOAUHAUHAUOAUHAO… Será que cantei errado por quase vinte anos??? Hoauuouoauha!

… Anyway. Acabava que a gente conseguia um repertório ótimo, embora de qualidade péssima – e quando terminava a fita no meio da música, aquele estresse absurdo pra abrir o toca-fitas, virar e apertar o rec de novo pra gravar do outro lado? Hahahah! Mais rápido que qualquer pit stop de F1, gente… Haouhaouhau! -, e todo mundo tinha suas boas 4, 5 fitinhas de seleções pessoais, e todo mundo levava pras festinhas e todas tocavam.

Não sei se essas lembranças pertencem só a minha vidinha classe-média, suspeito que outros classe-médias vão se identificar tb. Não sei como ricos faziam, talvez comprassem as fitas originais… HAHAHAHAHAH!

Anyway.

Foi nesse climinha nostálgico que eu fui catando uma música, e depois outra, e depois outra… E fui parar numa PÉROLA romântica que embalou MOOOOITOOOOOS primeiros beijos – não o meu. O meu primeiro beijo foi embalado por outra, eu quase quebrei o dente, vomitei, foi horrível -, muitas danças-da-vassoura, muitos “de fulano pra beltrano” nas rádios de todo o país.

DUVIDO que alguém com mais de 23 anos que entre nesse blog e leia este post não vá lembrar de uma certa bandinha com um certo hit – pq só tinha esse, tb; e eu só fui conhecer muito depois o clipe em si – em que uns cabeludos tocavam, na voz e violão, uma baladinha totalmente melosa e fudência que dizia:

“Saying ´I looooove you` is not the words I want to hear from yooou”

http://www.youtube.com/watch?v=w_dN1WXBxuw

(coloca pra tocar antes de ler, vamos fazer uma viagem no tempo! Hahaha!)

E todo mundo DERRETIA! E quem tava a fim de alguém corria pra pegar a vassoura e enxotar a periguete de oito anos que tava dançando com o mini-pitboy de nove e agarrar-se ao pescoço do futuro fdp (pq um cara que cresce sendo “o bambambam” não tem como virar coisa boa, vide Dolabellas existentes por aí), pq ESSA música era pra dançar com quem se gostava, era ROMÂNTICA, era AMERICANA, do mesmo lugar de onde vinham todas as roupas fluorescentes que todo mundo trazia quando voltava da Disney!Algo que vinha de lá não podia ser ruim, huh?

Os meninos que sabiam o que queriam – o que é mais difícil, que menino de 9 anos ainda não tem colhões pra tirar a menina que quer, vamos combinar -, queriam a mini-pootita de 8 anos que deixava passar a mão no peito (que peito???) só por diversão, pq ESSA música era a música que fazia essas meninas deixarem isso acontecer, era ESSA música, e só essa, que causava uma espécie de transe – parecido com o que acontece com os tubarões quando vc coça a barriga deles, já viram? – nas mini-fêmeas e fazia de tudo um momento mágico, pra contar pros amigos depois.

Agora, vou te falar, não é que os sem-colhões-mirim estavam certos? Que feelas! Das putas! Quantas e quantas garotas inocentes não foram enganaaaaaadas por esses feelas – não, não os sem-colhões-mirim, tô falando dos cabeludos do Extreme -; não foram sordidamente embaladas por essa melodia romântica até os cabelos (inexistentes, até então) do cu baterem palma??? Aliás, os sem-colhões tb, oras! Pq os sem-colhões aos 8 viram os “meus-colhões-precisam-de-alívio” aos 17 e aí fodem, literalmente, a porra toda!

Que bastards!

Acontece que a maioria das menininhas daquela idade e naquela época, não sabia e não tinha acesso às letras das músicas na íntegra. Então, mesmo quem entendia um pouco de inglês, na maioria das vezes não entendia tudo, não entendia o contexto e não tinha o famoso tira-teima que é a internet. Oras, hj, se vc quer saber a letra de uma música, vc joga no Google e aparece quem canta, letra, tradução, clipe no Youtube e, invariavelmente, seis versões cover com mais acessos e melhores do que as originais.
Mas naquela época, se vc queria saber uma música, vc tinha duas opções:

a) Pra saber o significado, perguntar ao professor de inglês – sendo que nem ele mesmo poderia te dizer com certeza qual era a letra, a não ser que tivesse a capa do discão em mãos. Como as capas dos discos não eram coisas de sair levando por aí, era foda copiar a letra num papel… E a gente acabava sem saber.

b) Pra aprender a letra, a cantar – um sistema Tabajara de toca-fitas com pause, papel e caneta (que era mito, pq até os 10 anos a gente só escreve de lápis, verdade seja dita). Dá play. Escuta. Anota: “Sêináilóviú isnódeuôrdzái uantorrearfromiú”. Dá play. Escuta. Anota. E assim até terminar.

Enfim. Nenhuma das opções preparava a gente pra saber que, na verdade, os filhas das putas dos cabeludos não tinham NADA de românticos.

“Saying ‘I Love you’
Is not the words I want to hear from you
It’s not that I want you not to say
But if you only knew
How easy it would be to show me how you feel

More than words
Is all you have to do to make it real
Then you wouldn’t have to say
That you love me ‘cause I’d already know

What would you do if my heart was torn in two?

More than words to show you feel
That your love for me is real

What would you say if I took those words away?

Then you couldn’t make things new
Just by saying ‘I love you’

More than words

Now that I’ve tried to
Talk to you and make you understand
All you have to do is
Close your eyes and just reach out your hands
And touch me, hold me close
Don’t ever let me go

More than words
Is all I ever needed you to show
Then you wouldn’t have to say
That you love me ‘cause I’d already know

More than words
More than words”

Mas que filhas das putas²! Eu sei, eu sei que é a vigésima vez que os chamo de feelas, mas é que essa música é uma obra de arte da cafajestagem internacional, gente!


“… “eu te amo” não são as palavras que quero ouvir de você.

Não é que eu não queira que você diga, é só que se você soubesse como seria fácil você me mostrar como vc se sente..”

O_O

Só falta dizer, no ritmo, ainda: “É só você me dar seu cu… ou a booffetinha, it´s up to you”

Que canalhas!

“Mais que palavras, é tudo que vc precisa pra tornar isso real… E então vc não precisaria dizer que me ama, pq eu já saberia” O_O

Quantas e quantas menininhas de 12, 13 anos não foram devidamente AMACIADAS com este prelúdio filho de uma égua para a meteção de logo depois?

Agora que eu tentei
Te falar e te fazer entender
Tudo o que vc tem que fazer é
Fechar os olhos e estender as mãos (pega minha benga e dá um lambidão, só falta, hauoauauh!)
E me toque, me abrace apertado
Não me deixe ir (porque eu tô quase gozando e, se vc não segurar direito, vc corta meu barato)”

O_O

Revoltante. Pq no dia seguinte, os feelas devem ter levantado e ido embora, não?

Santa ignorância, a nossa, na pré-adolescência! Conheço VÁRIAS que deram ao som dessa música e se foderam! Literalmente! Hahahaouhauoauh!

(eu não fui uma, tá, gente? Haouuoauoauohauha!)

E essa é UMA das músicas, só. Tem zilhares de outras que cantávamos sem saber o significado.

Agora só me vem à mente mais uma, mas não dá tempo de postar! Então fica pro próximo post.

Quem lembrar de mais, posta aqui nos comentários! Haohauoauuha!

E, no embalo de More Than Words, um videozinho PÉROLA que acabei de achar:

Hoaahuoaouhahahauohaohauha! AMEI!

Gente, fui!

Bjocas.

Carol Kalil

P.S.: Bemvindos, novos leitores! Tapete vermelho pro Evandro, que é um doce twíttístico! Já tinha dito isso antes de ele entrar aqui e nem sonhava com ele me seguir, e agora repito: criatura A-DO-RÁ-VEL. Obrigada!

Que comentem sempre!

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