Olho do Tempo


Hoje eu quero falar de um certo livro.

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Ganhei um livrinho tem cerca de um mês. Chegou pelo correio. Veio lá do “CCCCCCerrado”. =] – MAIS VÉIA, BRIGADAAAAAAAA!!! MORRIA SEM SABER, E NEM PERCEBI!!! Não sei pq ela me escolheu pra ganhar o tal livro, ela mal me conhecia – o que fica bem claro pela dedicatória e o pacote, que vieram endereçados à CARLA DA BELINHA. OUaohouahouahoua. Mas, além de Carol e Carla serem realmente de fácil confusão, letra de médico será sempre um enigma. O_O

Pois bem, me senti honrada, claro. E com medo: eu nunca compraria um livro de crônicas que não fosse do Veríssimo, e acho que justamente por isso não consigo terminar de escrever o meu; não conseguia entender pra que público escrever! Eu achava que seria dificílimo eu gostar de um livro de crônicas.

Uns dias depois, chegou o pacote. A Carla da Belinha aqui, abriu. Hehehehe.

Minha primeira reação foi pensar: “Que ódio, ela é médica e conseguiu terminar um livro! Eu, jornalista, empaco que nem mula de carga e não há quem me faça seguir!”

A segunda foi admitir pra mim mesma que o livro estava lindo, muito bem feitinha, a arte dele.

E a terceira foi ler. Com desdém, claro, pensando: “Humpf, o que uma médica vai escrever de interessante? Que não pode dar açúcar? Que não pode dar antibiótico? Humpf, humpf e mais humpf.” Invejinha? Nãaaaaaaaaaaaao, imagina!!!

Aí passei o primeiro conto, o segundo, o terceiro… E pela Viuvinha, me apaixonei. Daria outro livro, eu pensei comigo.

Passei pelo Cerrado, onde tinha fogueira, lua, café e pão de queijo. Eu estive lá, juro. Senti até o cheirinho do café e quase queimei a mão em uma canequinha de alumínio veeeelha que só. Vi uma “menina brincar lá fora com seus malabares” e lembrei da minha filha.

Pude visualizar uma carta pra ela. Já grande, ela estava na Europa. Chorei e corri pra junto do meu bebê, com medo de que ela acordasse já no dia de sua festa de 15 anos.

Conheci uma menininha tão criança e já mamãe. Imaginei seu futuro, desanimada… Mas quem sabe, quem sabe ela não acabe em Codisburgo? O futuro é de Deus, o mundo gira, gira, ou vai que daqui a uns anos ela tá melhor que eu, né?

Quase dormi com o cafuné das mucamas. Lembrei de quando era pequena e ODIAVA que minha vó me fizesse carinho na cabeça, pq ela ficava passando as unhas em círculos sempre no mesmo local e eu tinha a impressão de que ia furar meu crânio, paranóia que tenho até hoje. Queria pedir que as mucamas a explicassem como fazer um bom cafuné, desses que, só de ler, dão sono.

Conheci uma Eva que, se duvidar, vai apresentar o “Saia Justa” ano que vem. Quem sabe eu não apresente com ela?… OUAOUHAOUHAUOAUO! Quem dera…

Morri de rir dos meus medos quando minha filha tem febre! Finalmente desencaneim (espero)!

Me liguei que também sou uma mulher totalmente fora de mercado, e corri pra ver algumas revistas, rindo a cada referência encontrada. Casulos de maquiagem, elas mostram. Houahhuaoua.

Quis contar o que faço aqui em casa, juntando toda a comida que faço em excesso e colocando em quentinhas pra dar na rua, minha iniciativa pra combater o latifúndio. Por sinal, um dos preferidos, o do latifúndio. É muito latifúndio nesse mundo.

Lembrei de quantas aspirantes a modelóides esquálidas conheço, e quantas e quantas mães se projetam nas pobrezinhas pra sanar suas frustrações… Conheço algumas, até, que, orientais, não hesitariam em fazer a tal cirurgia de “deschinalização” dos olhos. Sem dúvidas.

Concordei que Brasília precisa de urubus. Urgentemente. Aquela cumbuca gigante lá, a que está virada pra cima, serviria perfeitamente de ninho.

Aqui tem urubu, mas não tem onça: tem pombo em hospital. Centenas deles, andando no corredor que dá para o centro cirúrgico. Acreditem – Hospital Universitário Antônio Pedro.

Cheguei à conclusão de que sou uma pulha e deveria ter movido umas quinhentas ações que deixei de lado, a começar pela Gol, que não avisa, ao vender passagens Rio-SP, que você tem que medir, no máximo, 1m38 e pesar 15 kg para que suas pernas caibam no espaço destinado a elas. Superei em muitíssimos kgs e centímetros estas medidas. O lado B, C, D, Z da viagem.

Li MEU MARIDOOO em Pânico! Por sinal, outro dos preferidos! Lembrei do tempo em que eu tinha que convencê-lo todos os dias de que ele NÃO IA MORRER assim, do nada, quinhentas vezes por dia. Se fosse hoje, incluiria em meu discurso que, se ele morresse, eu o enterraria no Père Lachaise!

Tive vontade de ser mineira. Uma semana depois, corri pra fazer exame de sangue, pois comi pão de queijo todos os dias, naquela semana. Pensei que meu colesterol estivesse nas alturas, explodindo mais que fogos de artifício no ano-novo de Copa.

Lembrei que, além de jornalista, eu já fiz curso de cabeleleira. Portanto, sou quase tão perigosa quando a doutora pode ser! Houahuahuohauo! Perigosa como uma cabeleleira!

Pensei em ser personal friend só pra ganhar dinheiro. Outro dos meus preferidos, esse tá demais!!! Mas, como sou politicamente (quaaase) correta, desisti.

Comecei a entender tudo quando eu morri. E, finalmente, depois de umas tantas páginas, virei a 127.

Encontrei num livro tão simples zilhares, trilhares de referências culturais a toneladas de coisas que eu nem de longe tinha conhecimento! Meu Deus!

E me tornei mais uma admiradora! =]

Miss Whitman, que minha honesta ignorância e confessa preguiça não me deixam saber exatamente de quem se trata (o Walt), a senhora é realmente, um poço de cultura. Credo. Da Bíblia ao Orkut, raras vezes eu vi alguém ter tanta informação junta. Isso sem levar em conta a medicina – eu sempre fui da opinião que médico não precisaria saber mais NADA, porque é tanta coisa, mas TANTA coisa… -, que é, no final, o assunto menos abordado. Nada de guerra ao antibiótico, muito menos ao açúcar. Nada de tão radical que não se possa entender, nada infundado, nada.

Só uma delícia de apanhado de experiências várias, que, de alguma maneira, moram todas, todas, TOOOODAS, dentro de uma única pessoa.

É bom aprender, sempre. Agora entendo que nem só de Veríssimo vive o homem.

HAOUOAUHOUAHOUAHOUAHOA!!!

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