Comercial de Proctyl

Sábado. Dia de sair pra passear com o maridão e a filhota, andar, andar, andar até os pés pedirem arrego. No caminho, ver novidades, namorar vitrines, passar no mercado, procurar apartamentos. Adoro.

Pois bem, sábado passado amanheceu um dia lindo, uma lua maravilhosaaaaaa, praiana certeira se eu não estivesse, neste momento da minha vida, uma gorda asquerosa. Então, conformada às minhas formas arredondadas, coloquei um vestido e um chinelo, peguei marido e filha e fui passear.

Que dia lindo! O céu azuuuuuuullll!!! “Vamos para o lado do Campo de São Bento”, e fomos.

Ignorei o calor da porra e segui em frente, serelepe e saltitante.

“- Olha, amor, um apartamento fechado!”

“- É, parece estar fechado! Vamos perguntar?”

“- Vamos!”, e fomos, tipo uma ceninha de propaganda de margarina: marido e mulher se amando, bebê sorrindo, sol brilhando… Que lindo.

O apartamento já havia sido vendido.

“- Ah, amor, não fica triste, a gente acha outro!”

“- Mas eu tinha gostado taaaanto desse…”

“- Mas o importante é a gente estar junto, seja onde estiver!”

Ai, que emocionante, até saiu uma lágrima. ¬¬

Dois quarteirões à frente, comecei a suar como uma porca parindo cinco filhotinhos ao sol de meio-dia.

“- Vamos parar pra tomar uma água de côco?”

“- Vamos!”

Paramos, abro a carteira (dele), me deparo com 4 míseros reais. Um côco pra Isabela e outro pra gente, pq é mais importante que ela se hidrate do que nós, né?

Demos o dela e fomos tomar o nosso.

Comecei a sugar lindamente, toda feliz, aquele canudinho maravilhosamente perfeito levando até minha boca as gotas da mais pura e gelada água-de-côco.

“- Eeeeei, não bebe tudo, deixa pra mim!”

Eu não tinha bebido nem três goles. Mas, com boa esposa que sou, passei pra ele o côco, pra ele tomar uns golinhos tb.

O filho da puta começou a tomar aqueles goles monstruosos que fazem GLUP, GLUP, GLUP, sem a mínima preocupação em deixar pra mim!

“- Ei, ei, EI!!! Deixa pra mim, porra!”

Ele parou os glups dele de repente.

“- Mas você não já tomou???”

Aaaaah, viadinho desgraçado, eu tomeu TRÊS MÍSEROS MINI-GOLES, enquanto você, até onde eu pude ouvir, tomou, no mínimo, sete!

“- Tomei uns goles, passei o côco pra vc tomar tb e depois me devolver!”

“- Ah, eu não sabia. Toma.”

E me passou o côco. Dentro, menos de meio milímetro de água. Pior que seca no nordeste.

Revoltada e sem um puto pra comprar mais, tomei aquelas GOTAS com a paixão de quem está sorvendo o último pingo d´água de um cantil, em pleno deserto. Não satisfeita, pensei que comer o côco fosse saciar um pouquinho mais a minha sede. Mandei abrir.

Ledo engano.

O côco tava grosso, já, quase maduro.

Burra, lerda e egoísta, quis pagar na mesma moeda: Pablo me pediu um pedaço e eu disse que não, ele já tinha tomado a maior parte do côco.

Juro que, naquela hora, enquanto ele me fuzilava com o olhar, pude escutaá-lo gritar telepaticamente pra mim:”É por isso que você tá gorda!”

Ai, que ódio.

Pois bem, comi a bosta do côco.

Como desgraça pouca é bobagem, aquela merda não tinha nem 0,5% d´água, e minha sede, como qualquer um – menos eu – suspeitaria, só aumentou.

Entalada com meio quilo de côco na garganta, quase sem respirar, dei um sorriso “satisfeito” e tentei passar, pela minha expressão, que agora eu estava TOTALMENTE sem sede. TENTEI passar, né, pq logo em seguida o filho de uma égua, vendo que era total fingimento meu, veio como quem não quer nada e disse:

“- Pronto? Vamos continuar procurando apartamentos?”

… e eu fiquei VERDE, sentindo minha morte chegando, minha boca mais seca que cuspe de múmia. Caralho, que sede.

Mas, como boa taurina, eu não iria dar meu braço a torcer, ah não. Engoli minha própria saliva, pra ver se descia o bolo de côco que tava travado no meu esôfago me proporcionando a sensação de ter engolido um gato persa INTEIRO, e, com uma lágrima de dor presa no cantinho do olho esquerdo, pude sussurrar:

“- Vamos”, no exato momento em que um fiapinho daquele maldito côco voltou à minha garganta e me fez começar a pigarrear.

Lágrimas desciam e aquele fiapo de uma figa não resolvia se ia ou vinha. Ficava ali, na garganta, sem nenhuma finalidade a não ser fazer as malditas lágrimas brotarem.

Mas eu segui, firme e forte, pq sou brasileirafingindo continuar no comercial de margarina. Exceto que, agora, eu me sentia num comercial de sal de frutas. Na parte em que o protagonista ainda NÃO tomou o remédio.

Andamos até umas 11 da manhã, e lá pelas 10 e blau eu consegui, finalmente, juntar uma quantidade elevada de saliva e engolir o côco bastardo.

Minha paz não durou dez minutos.

Depois de dar a volta no bairro INTEIRO, ir e voltar mil vezes em quinhentas ruas, já havíamos caminhado o equivalente a uns 3 quilômetros. E agora, eu começara a me dar conta da merda que fiz saindo de casa de vestido.

Sempre tive as pernas grossas. E sempre que engordo, o lance piora e fico mais assada que tender de natal.

Pois bem. Aquele sábado lindo de comercial de margarina estava em seu apogeu: se eu tivesse segurado uma espiga de milho fervendo entre as coxas, na virilha, não estaria ardendo tanto. Mil cacetes cravejados de cristais Swaróvsky voavam em volta da minha cabeça e o céu já não era tão azul. O elástico da calcinha dava requintes de tortura aoincidente.

Me peguei imaginando, entre outras coisas, que nomes damos à virilha da vaca, num churrasco, por exemplo. “Chuleta” me pareceu muito apropriado. Afinal, fica ali pertinho e rima com “boceta”. Tudo isso num flash.

Estava quase chamando a atenção do Pablo para os cacetinhos com cristais que sobrevoavam minha cabeça quando ele me tirou do transe.

“- Por que vc está andando assim???”

E, quando dei por mim, percebi que eu parecia cavalgar um dromedário.

Ah, porra, minha virilha doía horrores, minhas costas suavam em baldes, meus cabelos ensopados, meu nariz transpirava bolinhas e tinha um côco maldito que eu ainda não tinha esquecido em algum lugar do meu corpo, ainda quer que eu ande que nem uma lady???

Delicadamente, aproveitando que ele estava empurrando o carrinho uns passos à frente, dei o golpe de misericórdia, pq a calcinha tava me machucando MUITO: juntei ela toda e a escondi no meio do “sanduíche”. Fica aí, condenada, mas não volte a encostar na minha virilha! Fui consertando meu caminhar, urrando internamente de dor.

“- Assim como?”
“- Assim, como se tivesse botando um ovo!”

Cara, aquilo doeu. Não me perguntem o motivo, afinal, realmente parecia que eu tava botando um ovo, mas doeu. Então eu decidi me fazer de ofendida.

Olhei pra ele com aqueles olhos sofridos que só mulher sabe fazer, olhos que diziam pra ele “você me magoou profundamente”. Eu sabia que, uma vez olhando assim, ele ficaria com pena. Então preparei o circo pra “um gelo” e comecei a andar ao lado do carrinho, conversando com Isabela, e sem tirar os olhos dela, como se Pablo não estivesse ali.

Vocês podem não acreditar no que vem agora, mas eu JURO que aconteceu.

Pena ou não, uns 20 segundos depois escuto um “CUIDADO!!!!!!!!”.

Sem entender, virei pra frente e só consegui ver uma bordinha cinza.

Era eu atropelando um orelhão.

Aí não agüentei, me fudi, comecei a chorar, era muita coisa pra uma pessoinha só, gente… Meu comercial de margarina tava virando um comercial de pomada pra hemorróidas, cara…

Aí sim, ele veio todo carinhoso ver o que era, eu chorando, parada, com mó dor na testa, com calor, sede, virilha assada, calcinha cravada no Grand Canyon xerequês e absolutamente acabada, contei tudo.

Estávamos a duas quadras de casa.

Ele riu de lá até aqui.

¬¬

Eis meu sábado.

11 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Patrícia Calina
    out 30, 2007 @ 20:33:00

    ai tadinha fiquei com dó!!! sarou a pancada q vc levou?
    bjs!

    Responder

  2. Clau
    out 30, 2007 @ 20:55:00

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    adoreeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeei!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    vc eh otimaaaaaaaaaaaaaaaQ!!!!!!!!!!!!

    Responder

  3. Mª Flávia
    out 31, 2007 @ 16:25:00

    Eita sábado…. Credooooo…
    Nem me fale, aqui tambem saia = assadura…
    Mas meu marido é mais compreensivo que o teu, ele não tomaria a água de coco…

    E o livro? Já está pensando em começar a escrevê-lo???

    Bjo

    PS: Eu sei pq seu blog descobre o nome das pessoas… huahauhuahuaha
    É pq se vc se loga em alguma coisa google, ele usa essa informação…

    Responder

  4. camille
    out 31, 2007 @ 16:28:00

    é Carol….. melhor começar a escrever o livro….

    é muito bom te ler!!!

    já sarou da pancada?? espero que sim…

    bjsss….

    PS: obrigada à amiga que descobriu o pq do meu nome estar ali embaixo já selecionado…. =P a partir de hoje serei uma nova Camille!!!

    Responder

  5. aylla
    out 31, 2007 @ 18:00:00

    ahhhhhhh agora consegui comentar..

    ai carol..só com vc mesmo, né?????? uahahauahuahauhauahuaha

    eu ri muito!! Desculpa, tá? hahahaha

    mas olha..sai com uma garrafinha de água da próxima vez! kkkkkkk

    bjoooooooooooo

    Responder

  6. Daniela *Doduti*
    out 31, 2007 @ 20:30:00

    hahahaha
    eu me mato de rir com seus posts!

    Responder

  7. Vivi
    nov 01, 2007 @ 01:07:00

    tadinha deu do…carol mas como sempre na vida da carol sempre tao algo tragico e hilario ao mesmo tempo….rsrsrs

    Responder

  8. Carol Kalil
    nov 01, 2007 @ 14:31:00

    Aaaai, Viviiii!!! Tentando ver se seu link funcionava, apaguei seu post!!! =S

    FOI SEM QUEREEEEEEEER!!! DESCULPAAAA!

    Responder

  9. anna.apv
    nov 04, 2007 @ 11:35:00

    Vc é de verdade mesmo???

    Tô morrendo de rir há meia hora!

    Responder

  10. Luigi
    nov 19, 2007 @ 17:24:00

    carmabaaaaaaa…voce é minha idolaaaaaa….morro de rir….veja meu blog

    luigicriandoamigos.blogspot.com

    beijos

    Luigi

    Responder

  11. Luigi
    nov 19, 2007 @ 17:28:00

    carmabaaaaaaa…voce é minha idolaaaaaa….morro de rir….veja meu blog

    luigicriandoamigos@blogspot.com

    beijos

    Luigi

    Responder

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