O Preço de se Viver

Lendo assim parece até texto profundo, né? “O preço de se viver… Quanto você acha que vale sua vida? Nos dias de hoje, quando o mais precioso presente de Deus pode, de repente, ser tirado de você assim, num momento, num semáforo… Por um Rolex. “

Não, não, deixo ao Luciano Huck a profundidade das coisas; a MINHA profundidade literária nunca ultrapassou os 5 cm. E pretendo continuar aqui por cima, bem na superfície, só boiando. Quando você me vir chegando aos 4 cm de profundidade, pode se segurar na cadeira, pois aconteceu alguma tragédia no mundo, ou estou em depressão, ou faltou chocolate na cidade. Anyway.

Não é de nada disso que eu quero falar, é do preço de se viver MESMO: tô procurando um apartamento. E, puta merda, como é caro viver nesta cidade, meu Deus!

Faz MEEEEEEEEEESES que eu tô procurando um apartamento, mas agora que a dead line tá chegando e o meu vai entrar na reta, apertei a busca. E que merda, que merda. Que coisa cara, que coisa inestimulantemente cara.

Tô procurando um 2 quartos. No meu bairro, um dois quartos custa, no barato, 700 contos. EEEEE o condomínio, uns 300 a 500. Caralhos siameses, IMPOSSÍVEL. Não raro você até encontrar um de 500… Mas com o condomínio a uns 400 e IPTU a uns 200. Ah, pelos escórnios do profeta, tem dó.

Aí, a pessoa já desesperada por moradia, vai ampliando os horizontes. Por isso que preconceito é tudo de errado na vida; para os preconceituosos só resta viver passando fome pra pagar aluguel – e nem é raro achar gente que vive exatamente assim, e, para os não preconceituosos, só resta, realmente, ampliar os horizontes. Literalmente.

A idéia começa procurando apartamentos num perímetro tal. Depois de não achar NADA, NECAS, NOTHING, você expande esse perímetro pra um pouco além do que você gostaria. Mas, com a cabecinha ainda contaminada pelo environment de morar num bairro chique no úrtimo, todos os que você vê naquela área da expansão são, ainda, caros demais pra o que são. E você simplesmente não gosta, pq, afinal, não era a idéia inicial alugar ali, coisa decadente. Argh!

Ah, a capacidade de adaptação do ser humano!!! Inigualável capacidade!!! Só ela faz com que você, depois de alguns meses buscando naquele perímetro expandido decadente sem sucesso, amplie seus horizontes ainda mais e daí a mágica aconteça: a primeira expansão deixa de ser repugnante e passa a ser o objetivo! Houahuhauhauo! Na primeira vez que vc teve que rever seus conceitos e jogar pra mais adiante as margens da sua busca, o espaço entre o campo inicial e a nova margem é asquerosa. Agora, depois de expandir DE NOVO, o espaço entre o campo de busca inicial e a primeira expansão é que parece realmente maravilhoso! Afinal de contas, nada tão “cuico” (como diria meu marido, quer dizer “metidinho”, algo assim) é legal, e aquela expensãozinha é o que dá os ares de intelectualidade a area. OUAAUOHUAHOHAHA! E o novo perímetro ainda é MUITO pra sua cabeça, é o novo “Argh!” da história, a bem da verdade.

O problema é que nem no novo você encontra o que você quer pelo preço que você quer. Na verdade, vamos combinar, o que eu quero pelo preço que eu quero, só nas portas das favelas. Mas agora nem quero mais o que eu quero e pelo preço que eu quero; tô procurando é o que eu menos NÃO quero e pelo preço que eu menos reclame. UOHAOHAUOHAUHUOA.

Aí vem a grande merda. Quando o apartamento é bom, é no quinto andar e não tem escada. O que, com um bebê e planejando outro, não é bacana.

Quando o apartamento é mediano, é num lugar TERRÍVEL. Tem um aqui que dá totalmente pro gasto. Acontece que tem uma boca de fumo na frente e a esquina é dormitório de mendigo. Buá! Com todo o altruísmo que meu ser é capaz de possuir, ainda assim não arrisco viver com minha filha de 1 ano ali.

E, quando o preço é, finalmente, BOM, o apartamento é uma bosta. Um cu, um cu mesmo.

Em alguns, em plena luz do dia você não vê um palmo à frente do nariz.
Em outros, na cozinha cabe OU o fogão, OU a geladeira.
Em outros mais, você pode tranquilamente cagar tomando banho, porque o chuveiro é exatamente em cima do vaso. Poderia ser um plus, né, porque apressa sua vida: “Cague e manhe-se ao mesmo tempo, ALL IN ONE!”. Em outros banheiros, você entra de frente ou de costas, de acordo com o que você quiser fazer lá dentro. Pq, uma vez que você entrou, lá dentro você não se mexe. Se for peidar, saia, senão você é expelido a propulsão de dentro do banheiro.

Alguns apartamentos são tão ridiculamente decorados que você se pega perguntando pro corretor, “você tem certeza que isso não era um puteiro???”.

Enfim, quebra-se mais a cara procurando apartamentos do que com relacionamentos de uma vida inteira.

Paciência. Paciência.