Vindo do Orkut pra falar sobre maconha

O debate na BBs de 2006 me colocou a seguinte pergunta: “O que você faria se sua filha dissesse que quer fumar maconha?”. E eu respondi que a deixaria fumar em casa, na minha presença, e que, quem sabe, com os amigos, fizéssemos roda de viola e fumaríamos unzinho… Houaohuaoha…

Sobre mim, choveram posts sobre o quão errado isto é, que isso incentiva o tráfico e tal.

Realmente, eu não contava com esta parte na hora de escrever. Ficou parecendo que eu sou uma irresponsável que quer incentivar o uso de uma substância ilegal e tal. E não é nada disso.

Todos sabemos que a prática é MUITO diferente da teoria, e minha resposta partiu do princípio que eu prefiro que ela faça comigo do que sozinha, que ela seja orientada, que esteja protegida. “Ah, que absurdo, que inversão de valores!”. Não, não. Não se trata de inversão de valores, mas sim de viver em um mundo real e saber como são as coisas lá fora: ela tem MUITAS chances de ter esta curiosidade de provar SIM, como a maioria dos jovens têm, e a maioria FAZ, e muitos pais NUNCA saberão. E, enquanto algumas mães se mostram radicalmente contra experiências como esta, eu estou, SIM, aberta.

Na verdade, quando vejo alguém dizendo que não quer que os filhos tenham sequer contato com quem use maconha, me lembro, irremediavelmente, do Vaticano, que proibiu camisinha em pleno século XXI. Não faz o menor sentido, isto não é uma opção de trabalhe com a realidade, isto não é uma opção que considere a vida como ela é: eu acho q os padres, por não poderem transar, desconhecem como é aqui fora, só pode. “Ah, mas a Igreja Católica diz isso pq condena TAMBÉM o sexo antes do casamento”. Oras, mas e daí? Eles podem condenar até depois, a realidade é diferente desta e pronto, os jovens NÃO esperam (falando da grande maioria, claro), ponto! Nesta realidade, é RIDÍCULO condenar a camisinha. E eu vejo a questão da maconha da mesma maneira.

Num plano geral, quando eu penso em maconha eu não penso na violência, mas sim num estilo de vida. Diga-se de passagem: eu nunca fui uma usuária pesada, eu nunca gostei de fumar demais, eu ODIAVA os amigos que exageravam, me afastei deles com repulsa desde o início, ao ver que eram más influências, e eu NUNCA fiz besteira por fumar. A Jú citou a experiência dela e foi TOTALMENTE diferente da minha: ODEIO esses idiotinhas que tiram onda, que fumam pra ficar sem papo nenhum, DETESTO. Argh.

Eu parei de fumar há tempos, de uns 2 pra 3 anos pra cá foram raríssimas as ocasiões; e, quando eu comecei a cogitar parar de fumar, eu só conseguia pensar que aquele bagulho havia passado por mãos de gente ruim, que estava cheio de “energias ruins e bad vibes”, e já me deixava deprimida. Daí, então, deixei de lado. Mas sonho com o dia em que consiga uma maconha totalmente limpa, de uma planta LEGAL, em que nem as sementes tenham vindo do tráfico. Haouhouahaa.

Quando eu falo de maconha eu não estou falando do tráfico. Eu estou falando dela, da planta, de seu efeito, que pra mim é proveitoso, e de seus efeitos, prós e contras e etc., eu, na verdade, abstraio toda a questão legal (da lei) da coisa. Sob esta visão, tráfico é uma coisa, maconha outra, que INFELIZMENTE é adquirida por esse meio na maioria das vezes. Se conheço traficantes, se sei da realidade das favelas e tal? Conheço, sei, e é por isso que não uso mais, porque, como estou dizendo deeeesde a PR, É ILEGAL, não tem pra onde correr, e É CRIME. Usuários de maconha ficam com raivinha quando chamados de criminosos, mas é verdade, é crime.

Mas essa “raivinha” tem motivo de ser. É, no mínimo, injusto que, perante a lei, um usuário de maconha seja detido e classificado criminoso da mesma maneira que um traficante, ou que um cocainômano. Ainda mais porque temos o álcool e o tabaco aí, matando milhões diariamente… E quem souber de UM indivíduo que já tenha morrido por usar maconha – e SÓ maconha -, por favor, avise às autoridades.

Quando eu me refiro a maconha NESTE DEBATE, eu não estou me referindo ao tráfico, e nem à vida desregrada, e nem a exageros, e nem a outras drogas. Eu estou me referindo à maconha em si, que oferece menos malefícios que o cigarro, por exemplo (na verdade, os mesmos malefícios, sendo que um fumante fuma 20 cigarros diários e o usuário esporádico de maconha, um baseado a cada, sei lá, 7 dias), que não causa dependência química na maioria das pessoas, que não causa nenhum tipo de violência deliberada e que é uma ótima opção de droga.

Sim, uma ótima opção de droga. Me estapeiem e apredejem com falso puritanismo ou demagogia barata, mas não há verdade mais arrebatadora do que esta: O SER HUMANO NECESSITA DE DROGAS. A dor, o sofrimento, a alegria, tudo isso é minimizado ou potencializado através das drogas, o homem não resiste à pressão cotidiana sem o auxílio delas. Toda a humanidade, desde sempre, necessita de válvulas de escape, e quem inventou o “pode-não pode”, o legal e o ilegal foi, no fim das contas, o capitalismo.

“Dai bebida forte ao que está para perecer, e o vinho ao que está em amargura de espírito. Bebam e se esqueçam da sua pobreza, e da sua miséria não se lembrem mais.” Provérbios 31,6s

O álcool é, talvez, a droga amplamente usada mais antiga de que se tem notícia. Ninguém se assusta quando alguém que levou um pé na bunda toma um porre, ou quando alguém feliz toma champanhe. Mais que não se assustar, isso é CULTURAL, passa de geração pra geração a idéia de “afogar as mágoas”, os “tintins” no ano-novo; e tudo isso é uso de drogas. Uma droga que rapidamente rouba os sentidos, desnorteia a consciência, trai o mais “resistente” dos homens.
O problema do álcool é que ele, hoje, envolve muito mais carros do que antigamente, carros esses MUITO mais velozes; muito mais facilidade de encontrar do que nunca antes houve, e, pior, UMA PUBLICIDADE MASSIVA QUE INSISTE PARA QUE VOCÊ COMPRE, que vende um ideal de vida em que o álcool é protagonista e mocinho, como se uma cerveja deixasse qualquer biquini perfeito, os cabelos instantaneamente louros e o corpo bronzeado, ou te proporcionasse quantas loiras peitudas você fosse capaz de abocanhar em qualquer happy hour da vida. O álcool hoje não é uma simples válvula de escape; ele é um poderoso caça-níquel, um trunfo de sucesso garantido e uma arma branca, com a qual, respectivamente, o governo ganha dinheiro, grandes empresas ganham muito dinheiro e um monte de gente sofre as conseqüências desse jogo todo. Assim como era com o cigarro, que, graças a Deus, comaçou a dar mais prejuízo do que lucro ao governo e, então, enfim, medidas foram tomadas.

Fala-se da maconha, querem se ver afastados do grande perigo que é a Canabis. Mas e as propagandas de cerveja, que em quase qualquer horário são veiculadas e deixam até um bebê com vontade de sorver um gole de seja lá o que for aquilo amarelo e gelado que aparece nas tulipas suadas??? Ninguém vai tapar os olhos deles? E os cigarros, que podem ser fumados em lugares comuns e às vistas de todos, e cuja fumacinha, mesmo em lugares abertos, pode ir correndo pra dentro dos pulmões do próximo? Eu ODEIO quem fuma perto de mim. Argh.

Fica mais do que claro que, no final das contas, o dinheiro SEMPRE vai falar mais alto, e, portanto, o capitalismo aqui, mais uma vez, escolheu as drogas a serem permitidas e as que não serão permitidas, de maneira que essa escolha atenda aos interesses de ninguém mais, ninguém menos, do que os malditos grandes atores do cenário bilhardário empresarial mundial.

A maconha era permitida, antes de ser vetada. Hoahuoahuhauo. E vários episódios históricos nos dão uma boa idéia do motivo deste veto.

No comeeeeço do mundo capitalista que conhecemos hoje, ali pelos primórdios do século XX, a maconha era usada pelos imigrantes árabes e indianos que “invadiam” a Europa, pelos negros que, recém livres, nas Américas, tinham por hábito consumir a erva e pelos mexicanos, que tinham o hábito não só de seu consumo para o fumo, mas tb o uso de sua fibra para a fabricação de tecidos, remédios e inúmeras outras coisas.

Quem tiver um pouquiiinho de rebolado pra botar pingos nos is, já pode ter uma idéia do motivo de seu consumo incomodar tanto.

Na década de 20 ou 30, se não me engano, os EUA decretaram a Lei Seca. Não me lembro dos motivos. Mas eu sei que, com esta lei, a maconha, que era produzida em alguns loicais dos EUA e no México, tomou rapidamente o lugar de bola da vez, o que irritou profundamente a elite americana. Ligue os pontinhos e entenda: maconha era “droga de mexicanos e negros”. Da mesma maneira que, hoje, funk é música “de pobre”, ou então “tomar sol na lage” é coisa de suburbanos… Houahuohauha… Ou burrice é coisa de português, ou trapalhadas são “baianadas” ou “paraibadas”… Isso tem um nome (que não é relativismo e nem etnocentrismo), eu estudei isso, e é um fenômeno social comumente visto… Mas eu esqueci. Haouhauhuahoha. Na Europa, maconha é era coisa de árabes e indianos, os imigrantes indesejáveis. No Brasil, maconha é coisa dos negros também, os ex-escravos.

Taí a origem da antipatia pela droga.

Agora, a gota d´água: no ano de 1929, houve a tão terrível quebra da bolsa nos EUA, que mergulhou o país numa crise horrorosa, quando milhões foram pras ruas sem emprego, haviam saques, mortes, estupros e tudo mais. A ogeriza aos imigrantes tornou-se, então, mais forte ainda; eles começaram a ser acusados de “roubar” os parcos empregos dos americanos, de praticar barbaridades com mulheres e crianças e toda uma sorte de calamidades. LÓGICO, não precisa ser muito inteligente pra se dar conta de que não eram todos estes, necessariamente, atos dos imigrantes, mas de qualquer um, no caos que a Grande Depressão gerou. Tem um filme ótimo que mostra isso muito bem, com a Nicolle Kidmann e a Renée Zelwegger, mas eu não lembro o nome.

Enfim, o bode expiatório da vez foi o povo mexicano.

Corriam rumores no sul dos EUA de que a maconha dava poderes sobre humanos aos mexicanos… E não demorou até, num golpe de marketing, o governo americano decidir intervir na história, somando o útil ao agradável: banindo a maconha, além dos mexicanos e negros, estariam banindo tb o uso do cânhamo e suas fibras na indústria norte-americana, que já possuía gigantes têxteis e tal, cagados de medo de que a fibra da maconha substituísse o recém desenvolvido náilon e isso levasse o investimento pras mãos de outros empresários, possivelmente, MEXICANOS, que eram os que detinham a expertise na plantação de Canabis.
Quando eu digo golpe de marketing, eu REALMENTE me refiro a um GIGANTESCO GOLPE.

Os EUA são craques nisso, bem sabemos.

Primeiro, batizaram a maconha com um nome que fosse facilmente identificado como de língua castellana: MARIJUANA. Inconfundível, e estava feito o link-preconceito entre mexicanos e a droga. Depois, veicularam matérias descrevendo crimes terríveis e violentérrimos praticados por mexicanos sob o efeito da droga. (Aqui preciso dizer que, pra me lembrar de todas essas informações, recorri a uma SuperInteressante e umas outras revistas que tenho em casa. Na Super, eles citam um trecho de alguma matéria e dizem NÃO SER VERÍDICA, mas não citam de onde confirmaram que não é verdade. Eu não vou reproduzir o trecho se eu não tenho certeza da fonte. Mas uma coisa é fato: a maconha NÃO confere força descomunal a ninguém, só fome; NÃO deixa ninguém violento, por mais que a “viagem” seja ruim, muito pelo contrário, bota pra dormir. Haviam outras fontes de matérias comprovadamente falsas, mas eu não me lembro e não os tenho aqui agora. )

Enfim, armaram o circo, difamaram a maconha e deixaram a população apavorada com tal ameaça, falavam de homens com olhos vermelhos violentíssimos estuprando, matando, roubando… E a ignorância é mãe do preconceito, claro. Hoje, mesmo alguém sem o menor contato com a droga, pode ler estudos que dizem por A + B os efeitos da maconha, e a última coisa que ela faz é o descrito acima.

Depois de instaurado o pânico, o governo proibiu a PLANTA. Não o consumo, não o seu uso, mas PROIBIU A PLANTA DE EXISTIR.

Dali, os EUA disseminaram no mundo tooodos os mitos sobre a maconha que hoje conhecemos, e, através do medo, conseguiram, sob o pretexto de reprimir o tráfico, ter acesso ARMADO a inúmeros países. Não é genial?

Outro fato é que, além de associada aos grupos segregados, outro grupo que absorveu rápido o costume de usar maconha, no mundo todo, foram os artistas, intelectuais e bohêmios. Um pouquinho à frente na história, sabemos que estes são justamente os grupos rotulados de socialistas e comunistas, os grandes inimigos e impecilhos do capitalismo durante a Guerra Fria. Precisa explicar mais?

Abaixo – e aí sim, retirados da revista na íntegra – algumas verdades e mentiras sobre a maconha:

Maconha faz mal?

Taí uma pergunta que vem sendo feita faz tempo. Depois de mais de um século de pesquisas, a resposta mais honesta é: faz, mas muito pouco e só para casos extremos. O uso moderado não faz mal. A preocupação da ciência com esse assunto começou em 1894, quando a Índia fazia parte do Império Britânico. Havia, então, a desconfiança de que o bhang, uma bebida à base de maconha muito comum na Índia, causava demência. Grupos religiosos britânicos reivindicavam sua proibição. Formou-se a Comissão Indiana de Drogas da Cannabis, que passou dois anos investigando o tema. O relatório final desaconselhou a proibição: “O bhang é quase sempre inofensivo quando usado com moderação e, em alguns casos, é benéfico. O abuso do bhang é menos prejudicial que o abuso do álcool”.

Em 1944, um dos mais populares prefeitos de Nova York, Fiorello La Guardia, encomendou outra pesquisa. Em meio à histeria antimaconha de Anslinger, La Guardia resolveu conferir quais os reais riscos da tal droga assassina. Os cientistas escolhidos por ele fizeram testes com presidiários (algo comum na época) e concluíram: “O uso prolongado da droga não leva à degeneração física, mental ou moral”. O trabalho passou despercebido no meio da barulheira proibicionista de Anslinger.

A partir dos anos 60, várias pesquisas parecidas foram encomendadas por outros governos. Relatórios produzidos na Inglaterra, no Canadá e nos Estados Unidos aconselharam um afrouxamento nas leis. Nenhuma dessas pesquisas foi suficiente para forçar uma mudança. Mas a experiência mais reveladora sobre a maconha e suas conseqüências foi realizada fora do laboratório. Em 1976, a Holanda decidiu parar de prender usuários de maconha desde que eles comprassem a droga em cafés autorizados. Resultado: o índice de usuários continua comparável aos de outros países da Europa. O de jovens dependentes de heroína caiu – estima-se que, ao tirar a maconha da mão dos traficantes, os holandeses separaram essa droga das mais pesadas e, assim, dificultaram o acesso a elas.
Nos últimos anos, os possíveis males da maconha foram cuidadosamente escrutinados – às vezes por pesquisadores competentes, às vezes por gente mais interessada em convencer os outros da sua opinião.

Câncer

Não se provou nenhuma relação direta entre fumar maconha e câncer de pulmão, traquéia, boca e outros associados ao cigarro. Isso não quer dizer que não haja. Por muito tempo, os riscos do cigarro foram negligenciados e só nas últimas duas décadas ficou claro que havia uma bomba-relógio armada – porque os danos só se manifestam depois de décadas de uso contínuo. Há o temor de que uma bomba semelhante esteja para explodir no caso da maconha, cujo uso se popularizou a partir dos anos 60. O que se sabe é que o cigarro de maconha tem praticamente a mesma composição de um cigarro comum – a única diferença significativa é o princípio ativo. No cigarro é a nicotina, na maconha o tetrahidrocanabinol, ou THC. Também é verdade que o fumante de maconha tem comportamentos mais arriscados que o de cigarro: traga mais profundamente, não usa filtro e segura a fumaça por mais tempo no pulmão (o que, aliás, segundo os cientistas, não aumenta os efeitos da droga).

Em compensação, boa parte dos maconheiros fuma muito menos e pára ou reduz o consumo depois dos 30 anos (parar cedo é sabidamente uma forma de diminuir drasticamente o risco de câncer). Em resumo: o usuário eventual de maconha, que é o mais comum, não precisa se preocupar com um aumento grande do risco de câncer. Quem fuma mais de um baseado por dia há mais de 15 anos deve pensar em parar.

Dependência

Algo entre 6% e 12% dos usuários, dependendo da pesquisa, desenvolve um uso compulsivo da maconha (menos que a metade das taxas para álcool e tabaco). A questão é: será que a maconha é a causa da dependência ou apenas uma válvula de escape? “Dependência de maconha não é problema da substância, mas da pessoa”, afirma o psiquiatra Dartiu Xavier, coordenador do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Escola Paulista de Medicina. Segundo Dartiu, há um perfil claro do dependente de maconha: em geral, ele é jovem, quase sempre ansioso e eventualmente depressivo. Pessoas que não se encaixam nisso não desenvolvem o vício. “E as que se encaixam podem tanto ficar dependentes de maconha quanto de sexo, de jogo, de internet”, diz.

Muitos especialistas apontam para o fato de que a maconha está ficando mais perigosa – na medida em que fica mais potente. Ao longo dos últimos 40 anos, foi feito um melhoramento genético, cruzando plantas com alto teor de THC. Surgiram variedades como o skunk. No último ano, foram apreendidos carregamentos de maconha alterada geneticamente no Leste europeu – a engenharia genética é usada para aumentar a potência, o que poderia aumentar o potencial de dependência. Segundo o farmacólogo Leslie Iversen, autor do ótimo The Science of Marijuana (A ciência da maconha, sem tradução para o português) e consultor para esse tema da Câmara dos Lordes (o Senado inglês), esses temores são exagerados e o aumento da concentração de THC não foi tão grande assim.

Para além dessa discussão, o fato é que, para quem é dependente, maconha faz muito mal. Isso é especialmente verdade para crianças e adolescentes. “O sujeito com 15 anos não está com a personalidade formada. O uso exagerado de maconha pode ser muito danoso a ele”, diz Dartiu. O maior risco para adolescentes que fumam maconha é a síndrome amotivacional, nome que se dá à completa perda de interesse que a droga causa em algumas pessoas. A síndrome amotivacional é muito mais freqüente em jovens e realmente atrapalha a vida – é quase certeza de bomba na escola e de crise na família.

Danos cerebrais

“Maconha mata neurônios.” Essa frase, repetida há décadas, não passa de mito. Bilhões de dólares foram investidos para comprovar que o THC destrói tecido cerebral – às vezes com pesquisas que ministravam doses de elefante em ratinhos -, mas nada foi encontrado.
Muitas experiências foram feitas em busca de danos nas capacidades cognitivas do usuário de maconha. A maior preocupação é com a memória. Sabe-se que o usuário de maconha, quando fuma, fica com a memória de curto prazo prejudicada. São bem comuns os relatos de pessoas que têm idéias que parecem geniais durante o “barato”, mas não conseguem lembrar-se de nada no momento seguinte. Isso acontece porque a memória de curto prazo funciona mal sob o efeito de maconha e, sem ela, as memórias de longo prazo não são fixadas (é por causa desse “desligamento” da memória que o usuário perde a noção do tempo). Mas esse dano não é permanente. Basta ficar sem fumar que tudo volta a funcionar normalmente. O mesmo vale para o raciocínio, que fica mais lento quando o usuário fuma muito freqüentemente.
Há pesquisas com usuários “pesados” e antigos, aqueles que fumam vários baseados por dia há mais de 15 anos, que mostraram que eles se saem um pouco pior em alguns testes, principalmente nos de memória e de atenção. As diferenças, no entanto, são sutis. Na comparação com o álcool, a maconha leva grande vantagem: beber muito provoca danos cerebrais irreparáveis e destrói a memória.

Coração

O uso de maconha dilata os vasos sangüíneos e, para compensar, acelera os batimentos cardíacos. Isso não oferece risco para a maioria dos usuários, mas a droga deve ser evitada por quem sofre do coração.

Infertilidade

Pesquisas mostraram que o usuário freqüente tem o número de espermatozóides reduzido. Ninguém conseguiu provar que isso possa causar infertilidade, muito menos impotência. Também está claro que os espermatozóides voltam ao normal quando se pára de fumar.

Depressão imunológica

Nos anos 70, descobriu-se que o THC afeta os glóbulos brancos, células de defesa do corpo. No entanto, nenhuma pesquisa encontrou relação entre o uso de maconha e a incidência de infecções.

Loucura

No passado, acreditava-se que maconha causava demência. Isso não se confirmou, mas sabe-se que a droga pode precipitar crises em quem já tem doenças psiquiátricas.

Gravidez

Algumas pesquisas apontaram uma tendência de filhos de mães que usaram muita maconha durante a gravidez de nascer com menor peso. Outras não confirmaram a suspeita. De qualquer maneira, é melhor evitar qualquer droga psicoativa durante a gestação. Sem dúvida, a mais perigosa delas é o álcool.

Maconha faz bem?

No geral, não. A maioria das pessoas não gosta dos efeitos e as afirmações de que a erva, por ser “natural”, faz bem, não passam de besteira. Outros adoram e relatam que ela ajuda a aumentar a criatividade, a relaxar, a melhorar o humor, a diminuir a ansiedade. É inevitável: cada um é um.

O uso medicinal da maconha é tão antigo quanto a maconha. Hoje há muitas pesquisas com a cannabis para usá-la como remédio. Segundo o farmacólogo inglês Iversen, não há dúvidas de que ela seja um remédio útil para muitos e fundamental para alguns, mas há um certo exagero sobre seus potenciais. Em outras palavras: a maconha não é a salvação da humanidade. Um dos maiores desafios dos laboratórios é tentar separar o efeito medicinal da droga do efeito psicoativo – ou seja, criar uma maconha que não dê “barato”. Muitos pesquisadores estão chegando à conclusão de que isso é impossível: aparentemente, as mesmas propriedades químicas que alteram a percepção do cérebro são responsáveis pelo caráter curativo. Esse fato é uma das limitações da maconha como medicamento, já que muitas pessoas não gostam do efeito mental. No Brasil, assim como em boa parte do mundo, o uso médico da cannabis é proibido e milhares de pessoas usam o remédio ilegalmente. Conheça alguns dos usos:

Câncer

Pessoas tratadas com quimioterapia muitas vezes têm enjôos terríveis, eventualmente tão terríveis que elas preferem a doença ao remédio. Há medicamentos para reduzir esse enjôo e eles são eficientes. No entanto, alguns pacientes não respondem a nenhum remédio legal e respondem maravilhosamente à maconha. Era o caso do brilhante escritor e paleontólogo Stephen Jay Gould, que, no mês passado, finalmente, perdeu uma batalha de 20 anos contra o câncer (veja mais sobre ele na página 23). Gould nunca tinha usado drogas psicoativas – ele detestava a idéia de que interferissem no funcionamento do cérebro. Veja o que ele disse: “A maconha funcionou como uma mágica. Eu não gostava do ‘efeito colateral’ que era o borrão mental. Mas a alegria cristalina de não ter náusea – e de não experimentar o pavor nos dias que antecediam o tratamento – foi o maior incentivo em todos os meus anos de quimioterapia”.

Aids

Maconha dá fome. Qualquer um que fuma sabe disso (aliás, esse é um de seus inconvenientes: ela engorda). Nenhum remédio é tão eficiente para restaurar o peso de portadores do HIV quanto a maconha. E isso pode prolongar muito a vida: acredita-se que manter o peso seja o principal requisito para que um soropositivo não desenvolva a doença. O problema: a cannabis tem uma ação ainda pouco compreendida no sistema imunológico. Sabe-se que isso não representa perigo para pessoas saudáveis, mas pode ser um risco para doentes de Aids.

Esclerose múltipla

Essa doença degenerativa do sistema nervoso é terrivelmente incômoda e fatal. Os doentes sentem fortes espasmos musculares, muita dor e suas bexigas e intestinos funcionam muito mal. Acredita-se que ela seja causada por uma má função do sistema imunológico, que faz com que as células de defesa ataquem os neurônios. A maconha alivia todos os sintomas. Ninguém entende bem por que ela é tão eficiente, mas especula-se que tenha a ver com seu pouco compreendido efeito no sistema imunológico.

Dor

A cannabis é um analgésico usado em várias ocasiões. Os relatos de alívio das cólicas menstruais são os mais promissores.

Glaucoma

Essa doença caracteriza-se pelo aumento da pressão do líquido dentro do olho e pode levar à cegueira. Maconha baixa a pressão intraocular. O problema é que, para ser um remédio eficiente, a pessoa tem que fumar a cada três ou quatro horas, o que não é prático e, com certeza, é nocivo (essa dose de maconha deixaria o paciente eternamente “chapado”). Há estudos promissores com colírios feitos à base de maconha, que agiriam diretamente no olho, sem afetar o cérebro.

Ansiedade

Maconha é um remédio leve e pouco agressivo contra a ansiedade. Isso, no entanto, depende do paciente. Algumas pessoas melhoram após fumar; outras, principalmente as pouco habituadas à droga, têm o efeito oposto. Também há relatos de sucesso no tratamento de depressão e insônia, casos em que os remédios disponíveis no mercado, embora sejam mais eficientes, são também bem mais agressivos e têm maior potencial de dependência.

Dependência

Dois psiquiatras brasileiros, Dartiu Xavier e Eliseu Labigalini, fizeram uma experiência interessante. Incentivaram dependentes de crack a fumar maconha no processo de largar o vício. Resultado: 68% deles abandonaram o crack e, depois, pararam espontaneamente com a maconha, um índice altíssimo. Segundo eles, a maconha é um remédio feito sob medida para combater a dependência de crack e cocaína, porque estimula o apetite e combate a ansiedade, dois problemas sérios para cocainômanos. Dartiu e Eliseu pretendem continuar as pesquisas, mas estão com problemas para conseguir financiamento – dificilmente um órgão público investirá num trabalho que aposte nos benefícios da maconha.

—–

Disso tudo, algumas palavrinhas e conclusões minhas:

1 – O que você pensa sobre a maconha (e sobre qualquer tabú, a bem da verdade) e a imagem que você faz dela, se você nunca experimentou, NÃO é um pensamento genuíno seu, mas sim de uma sociedade que, desde o começo, optou pelo preconceito na hora de decidir o que pode e o que não pode, o que é bom ou não. A maconha sempre foi vista com maus olhos pois sempre foi associada a grupos indesejáveis, e é por essa herança discriminatória que VOCÊ, sim, VOCÊEEE, a vê da maneira que vê. Por isso eu afirmo de novo: pra falar de qualquer coisa, CONHEÇA.

2 – Se é algo bom ou ruim, se você gosta de ter o pensamento alterado ou não, isso é totalmente pessoal. Qualquer substância de que fizermos uso, terá reações diferentes de pessoa pra pessoa, de corpo pra corpo. O que foi abordado aqui foi se ela faz ou não mal à saúde num geral, prevendo que o usuário seja são, não tenha transtornos mentais e nem doenças que o tornem sensível à substância.

3 – Eu escrevi lá em cima que a humanidade precisa de drogas. Eu sei que muitas pessoas vão fazer aquela questão de não entender e contestar. Portanto, quero lembrar outras droguinhas: a sua Novalgina/Aspirina de cada dia, é droga, e hoje usada por bilhões de pessoas sem a menor necessidade, viciados em analgésicos por sabe-se lá Deus o motivo. A sua cervejinha, é droga. O seu Sorine, é droga, e é o mesmo caso da Aspirina. Calmantes e remédios pra emagrecer, são drogas, e perigosíssimas. Cigarro de tabaco, nem preciso me manifestar. E, em última instância, se vc não consome nada disso, dessa você não escapa: AÇÚCAR É DROGA, já dizia meu médico, Dr. Arnaldo Baptista.

O açúcar é, para algumas pessoas, tão nocivo quanto o álcool, e eu sou uma delas, e mais da metade dos americanos também são: eu não consigo parar, sou totalmente compulsiva. E isso dá diabetes, causa obesidade, e n outras doenças. Coca-Cola é droga e vicia, e assim causa doenças tb. Isso sem falar nos inúmeros componentes químicos que hoje são usados na indústrria alimentícia para, LITERALMENTE, viciar o consumidor. Tudo droga, e tudo liberado. É como eu sempre digo: TUDO EM EXAGERO É NOCIVO, TUDO.

4 – Nada do que eu escrevi ameniza o fato de que maconha É ILEGAL, e seu uso, CRIME. Consideremos injusto ou não, sendo a história manipulada ou não, na lei vigente de hoje, em nosso país, MACONHA É PROIBIDA.

Pois é, pois é, pois é.

3 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Carol Kalil
    out 19, 2007 @ 01:52:00

    Aliando o útil ao agradável: preguiça de logar e “pra dar volume”, hauhauhauhuoa:

    ESQUECI DE REVISAR A BOSTA DO TEXTO, RELEVEM OS ERROS E REPETIÇÕES DE PALAVRAS EM ALGUNS TRECHOS!!! DEPOIS REVISO E CONSERTO!!!

    Responder

  2. Karina (da PR)
    out 20, 2007 @ 23:37:00

    Na época da adolescência minha mãe chamou eu e meu irmão e disse que se nós quiséssemos experimentar maconha podiaer em casa nós três. Ela tinha medo das consequências de usar na rua, sabe-se lá quais comphanias. Resultado: perdeu a graça e nenhum dos 3 nunca usou.

    Responder

  3. go_go_coin
    out 21, 2007 @ 02:38:00

    eu achei o texto muito muito bom..
    vc expões sua opinião…divugou os dados e de uma maneira simples e realista
    concordo 100% com vc..
    sou mamãe da PR tb
    abraços!

    Responder

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