Os primeiros efeitos da relaxina…


Eu aqui sentada, abria a página que queria e, quando me aproximava da tela com o mouse clicado na barra de rolagem (pra ver bem de perto a rota da Gripe Aviária), tomava um puta susto pq o navegador começava a piscar loucamente e por mais que eu estivesse “segurando” a barra de rolagem com a seta, ela ficava tentando descer. Coisa louca.

Aí fechei a página e abri de novo. O mesmo acontecia. Desencanei, pensando que era coisa da página.

Fui pro Orkut, aquele inferno virtual que infelizmente faz parte da minha vida. Cliquei no espaço para o login, digitei. Passou para o espaço da senha e neste momento o Pablo me pediu pra ver as horas.

Que fique bem claro aqui, para a imagem mental do caro leitor, que sou MÍOPE como uma porta. Tenho que chegar mais perto da tela pra ver essas letrinhas.

Me aproximei e cantei as horas pro maridón.

Voltando pro Orkut, qual não foi minha surpresa ao encontrar, na senha, uns 20 caracteres criptografados, “*******************”, quando eu não tinha escrito nada!!! “Tem alguém no computador! Tem vírus nessa porra”, foi meu primeiro pensamento, lógico. Fechei desesperada a tela e reiniciei a máquina.

As coisas estranhas continuaram a acontecer até que, lá pela terceira vez observando, me dei conta do problema. Nunca me senti tão absurdamente ridícula: cada vez que eu me inclinava pra ver a tela, minha digníssima BARRIGA, agora com 4 meses, pressionava a tecla SPACE ininterruptamente…

P.S.: Parece, se eu escrevi certo, que relaxina é um hormônio produzido por nós, grávidas, pra não sentir dor na hora do parto. Algo assim. Acontece que a partir do quarto mês ele começa a afetar a coordenação motora… e como eu nunca fui um ás da coordenação motora…

Peter!

Aí vc vai dizer que “é impossível que alguém passe por situações tão ridículas como as que vc escreve”. E aí eu te respondo: tudo depende da companhia.

Não faz muito tempo, Bruna, Pablo e eu estávamos ali num barzinho perto aqui de casa, biritando. Pedimos uma batata frita, veio aquela piscininha de óleo com três pedaços de batata boiando no meio, a Skol quente de cada dia, um guaraná Kuat, whatever… Aquelas cenas típicas de mesa de boteco. Pablo, um dos maiores guardanapo-maníacos que eu já vi na vida, se deu conta da falta de guardanapos na mesa. E quando seus lindos dedinhos começaram a ameaçar deixar o copo cair da mão por excesso de óleo em sua superfície, decidiu agir e chamou o garçom para pedir os papéizinhos tão úteis.

O garçom não escutava.

Enquanto isso, ali do outro lado da mesa, Bruna e eu nos divertíamos vendo um show do Peter Frampton (Frempton?) no telão do bar. Logicamente, Bruna não tinha idéia de quem era o cantor.

“- Quem é?”
“- Peter Frampton”, respondo eu, do alto da minha majestade cultural graças a todos os discões de vinil escutados por tabela durante minha infância, haouhauohuoah.
“- Quem???”, repete a Bruna, com aquela expressão “eu-nunca-ouvi-esse-nome-antes”.
“- Peter Frampton”

Bacana. O showzinho do telão estava agradável. Tão agradável que eu estava alheia ao desespero de meu noivo em chamar a atenção do garçom. Ele sacodia os braços, batia palmas, assoviava… NADA. Todos os garçons estavam ocupados levando outras piscininhas de óleo para outros infelizes como nós.

Foi com muita naturalidade que eu encarei a pergunta do Pablo, “qual é o nome dele?”. Em nenhum momento passou pela minha cabeça que meu digníssimo noivo não havia SEQUER visto o telão presente no recinto, muito menos eu ia imaginar que ele se referia ao garçom, e não ao cantor.

Então minha resposta foi bem pertinente ao MEU momento – mas não ao do Pablo:

“- Peter Frampton”

Menos de três milésimos de segundo haviam se passado quando meu noivinho lindo, num pedido de misericórdia, clamando por um simples bom atendimento, levantou o braço direito na direção do garçom e soltou, sem nem pestanejar, em alto e bom tom:

“- Peter!!!”

E, embora o nome certo fosse Tarciso, um minuto depois chegaram os guardanapos.